Parte integrante da coleção Quero Saber, Os egípcios é uma obra informativa que articula linguagens de forma diversa e potente, promovendo uma imersão nessa cultura tão rica e importante à humanidade como um todo. Apresentados a tradições, divindades e hábitos dessa população, somos conduzidos a uma experiência cultural que promove participação e interatividade aos leitores.
Neste roteiro, você encontrará reflexões, atividades e sugestões que ampliam e aproximam as informações do livro ao contexto dos estudantes, valorizando os feitos antigos e o legado que essa sociedade deixou até os dias atuais.
Mostrar-se interessado e envolvido pela leitura de livros de literatura e por outras produções culturais do campo e receptivo a textos que rompam com seu universo de expectativas, que representem um desafio em relação às suas possibilidades atuais e suas experiências anteriores de leitura, apoiando-se nas marcas linguísticas, em seu conhecimento sobre os gêneros e a temática e nas orientações dadas pelo professor."
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Identificar as transformações ocorridas na cidade ao longo do tempo e discutir
suas interferências nos modos de vida de seus habitantes, tomando como ponto de partida o
presente.
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Estabelecer expectativas em relação ao texto que vai ler (pressuposições
antecipadoras dos sentidos, da forma e da função social do texto), apoiando-se em seus
conhecimentos prévios sobre as condições de produção e recepção desse texto, o gênero, o
suporte e o universo temático, bem como sobre saliências textuais, recursos gráficos, imagens,
dados da própria obra (índice, prefácio etc.), confirmando antecipações e inferências realizadas
antes e durante a leitura de textos, checando a adequação das hipóteses realizadas.
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Nos momentos antes da leitura, para a familiarização com o tema, promova um espaço de diálogo cujo objetivo seja despertar os conhecimentos iniciais que as crianças têm sobre o Egito, questionando, por exemplo:
• Vocês sabem onde fica o Egito?
• O que já conheceram ou ouviram falar sobre esse lugar?
• Vocês conhecem algo da antiga cultura egípcia que usamos até hoje?
• Como vocês acham que era a vida nesse lugar antigamente: trabalhos, governos, costumes?
Levantar questionamentos dessa natureza contribui para a criação de expectativas sobre as informações que serão apresentadas e contextualizadas durante a leitura, exercitando a criação de hipóteses e suas possibilidades de confirmação. Nesse sentido, também é possível que as crianças exponham como conhecimento dessa região e cultura uma visão proveniente de filmes e desenhos aos quais têm acesso. É válido, por exemplo, listar as informações que elas têm antes da leitura e exercitar uma comparação nos momentos após a leitura, demonstrando os ganhos culturais a partir da apreciação da obra.
Para a familiarização com a obra, convide as crianças a uma observação minuciosa da capa de Os egípcios. Nela, muitos elementos são demonstrados, desde vestimentas, ferramentas e hábitos até o convívio com os animais, o processo de mumificação, etc. Assim, faça questionamentos que orientem essa leitura atenta aos detalhes:
• Três cenas são demonstradas na capa. Quem está sendo representado?
• O que as crianças estão fazendo? E os adultos?
• Quais hábitos podemos perceber com essa observação?
• Na quarta capa, alguns homens estão trabalhando. O que eles parecem estar fazendo?Você já sabia que isso fazia parte da cultura egípcia?
A partir das hipóteses e observações levantadas com a leitura inferencial, busque ressaltar como as ilustrações já adiantam informações que serão aprofundadas pelo livro. Esses questionamentos, somados às perguntas, possibilitam a percepção da leitura inferencial, reforçando as expectativas e habituando os jovens leitores à linguagem que será empregada ao longo da obra informativa, tendo como base a associação das linguagens verbais e não verbais.
Mostrar-se interessado e envolvido pela leitura de livros de literatura e por outras produções culturais do campo e receptivo a textos que rompam com seu universo de expectativas, que representem um desafio em relação às suas possibilidades atuais e suas experiências anteriores de leitura, apoiando-se nas marcas linguísticas, em seu conhecimento sobre os gêneros e a temática e nas orientações dadas pelo professor."
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Identificar o efeito de sentido produzido pelo uso de recursos expressivos
gráfico-visuais em textos multissemióticos.
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Identificar e apreciar formas distintas das artes visuais tradicionais e
contemporâneas, cultivando a percepção, o imaginário, a capacidade de simbolizar e o
repertório imagético.
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Dica
Os egípcios é um livro informativo, de linguagem objetiva e clara, que associa recursos não verbais aos saberes que são expostos. Sua leitura pode ser feita pelo professor enquanto mediador para a turma, demonstrando como os conhecimentos expostos são representados imageticamente. Faça paradas ao longo da leitura a fim de demonstrar os objetos citados, retomando seus nomes e suas aparências, o que promove maior interesse e fixação de informações.
A beleza e importância dos símbolos
Ao longo de toda a obra, fica evidente a preocupação do Antigo Egito com toda sua estética e simbologia: além de os símbolos serem fundamentais à religião e às formas de governo dessa sociedade, a estética individual e de seus templos era uma preocupação intrínseca à vivência egípcia. Sendo assim, as ilustrações demonstram como todos os espaços ganhavam ornamentações repletas de significado, dando uma ideia material e visual aos leitores de como era a estética geral dos locais que essas pessoas ocupavam, bem como suas preocupações com acessórios, pinturas e maquiagens.
Na página destacada, por exemplo, os símbolos fazem referência aos rituais que lidavam com a morte dos cidadãos egípcios. É importante ressaltar como cada “desenho” ganha dimensão de significado, esclarecido no livro, já que contextualiza o que cada um dos ornamentos significa, quais são suas funções para aquele ritual e como cada um era utilizado.
A importância desses ornamentos também pode ser percebida na mobilização de trabalho que o livro destaca (textual e imageticamente). O artesanato, principalmente enquanto trabalho nessa sociedade, valorizava os talentos manuais, como demonstrado nas ramificações de profissões da área artística, tanto quanto os objetos criados.
É importante mencionar a atenção voltada aos sentidos atribuídos a esses símbolos: durante toda a leitura, os significados e usos desses objetos e desenhos são explicados, contemplando suas origens. A discussão pode ser expandida em uma segunda leitura, atentando para os momentos em que os símbolos aparecem e seus usos são contextualizados ao longo do livro, por exemplo.
Narrativas mitológicas
Ainda que seja um livro informativo, Os egípcios é uma obra que traz uma série de narrativas que contam a origem das crenças desse povo, o significado de seus objetos sagrados e até a trajetória dos deuses que eram cultuados por eles. As narrativas mitológicas compõem, portanto, o panorama informativo, mas destacam-se individualmente, podendo ser uma livre fonte de consulta disponibilizada em sala e explorada enquanto um exemplo de multiplicidade de tipologias textuais dentro de um mesmo livro.
A narrativa do deus Rá e o barco solar contempla em estrutura verbal e não verbal a origem do deus mencionado por uma perspectiva que remonta à tradição oral dos mitos, mostrando a continuidade de sua existência ao longo de tantas gerações. É possível, em momentos posteriores à leitura, uma comparação com mitos brasileiros com os quais os estudantes já tenham tido contato. Analise os aspectos semelhantes e diferentes, levando em consideração o esquema narrativo bem como as características e temáticas referentes às mitologias grega e brasileira – como as lendas, por exemplo.
Aspectos geográficos e a origem da riqueza
Ao longo da leitura da obra, ao estudarmos os aspectos culturais sobre a população do Egito Antigo, muitas nuances se destacam, como sua prosperidade, o desenvolvimento de sua arquitetura, o gosto pelas artes, a complexidade de suas crenças, etc. Desde o início, somos também contextualizados sobre o fato de que o principal responsável pelas possibilidades de desenvolvimento dessa sociedade é o rio Nilo. Nesse sentido, os aspectos geográficos que permeiam a população egípcia são fundamentais de se compreender, contrastando seu desenvolvimento agrícola, por exemplo, com o deserto, que compunha grande parte da paisagem.
Durante a leitura, utilize os mapas ilustrativos e as falas que convidam o leitor a conhecer mais sobre os egípcios para elaborar uma reflexão voltada à importância da localização desse país. Converse sobre como foram desenvolvidas técnicas de convivência a partir dessa riqueza natural. A reflexão pode ser expandida com questionamentos como:
• Vocês perceberam a importância do rio Nilo para a população egípcia? Quais atividades eram desenvolvidas a partir desse recurso?
• Como vocês imaginam que seria a vida nesse local sem a presença do rio?
• O Brasil é conhecido por suas riquezas naturais. Quais podemos citar?
Espera-se que os estudantes consigam criar paralelos entre a presença do rio e as atividades de comércio, alimentação e transporte dessa região. Ao aproximar essas informações ao que ouvem falar do Brasil, também estreitam-se as relações entre a leitura e o cotidiano dos estudantes, que vão associar a narrativa sobre um país distante e sua cultura aos nossos meios de comercialização, locomoção, etc.
Para saber mais
Você sabia que, embora frequentemente o rio Nilo seja associado ao Egito, ele flui por vários países? Sabia que ele é considerado o rio mais longo do mundo? Para saber mais sobre essa riqueza natural – que, ao transbordar no mês de agosto, permitia que os egípcios desenvolvessem várias formas de sobrevivência em meio ao deserto –, o artigo Nile river facts, publicado pela National Geographic Kids, lista dez fatos e aprofundamentos sobre esse importante agente do nordeste da África.
(adaptado de National Geographic Kids, s.d.)
Mostrar-se interessado e envolvido pela leitura de livros de literatura e por outras produções culturais do campo e receptivo a textos que rompam com seu universo de expectativas, que representem um desafio em relação às suas possibilidades atuais e suas experiências anteriores de leitura, apoiando-se nas marcas linguísticas, em seu conhecimento sobre os gêneros e a temática e nas orientações dadas pelo professor."
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Expressar-se em situações de intercâmbio oral com clareza, preocupando-se em ser
compreendido pelo interlocutor e usando a palavra com tom de voz audível, boa articulação e
ritmo adequado.
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Reconhecer a história como resultado da ação do ser humano no tempo e no
espaço, com base na identificação de mudanças e permanências ao longo do tempo.
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Após a leitura, promova um espaço de diálogo e acolhimento das impressões e curiosidades dos estudantes, retomando aspectos vistos ao longo do livro e reflexões possíveis sobre suas temáticas. Para isso, questione:
• O que vocês sabiam sobre o Egito Antigo antes da leitura? Já imaginaram o tamanho e desenvolvimento dessa sociedade?
• Quais invenções ou hábitos acharam mais interessantes? Vocês conseguem identificar quais desses hábitos nós também adotamos ou aperfeiçoamos para nosso contexto?
• Qual é a real importância do rio Nilo? Com relação ao uso do rio, quais são as semelhanças que podemos perceber entre os habitantes de nosso país e os egípcios?
• Qual simbologia vocês acharam mais distante de nossa cultura? Por quê?
Ao revisitar as informações de leitura suscitadas pelos questionamentos, os estudantes não apenas se relacionam com os elementos compreendidos como também reinterpretam e aprofundam o conhecimento a partir de comparações e aproximações com seus contextos. Aqui, é esperado que rituais tidos como sagrados pelos egípcios, como a mumificação, causem mais estranhamento.
Contextualize a importância dos rituais que ocorriam naquele espaço e tempo, demonstrando que culturas podem mesmo causar estranhamento àqueles que são de fora. Lidar com essas questões fortalece o olhar investigativo e de convivência com diferentes culturas, garantindo, no futuro, a aproximação do conhecimento enquanto matéria de estudo, sem preconceitos ou crenças limitantes da aprendizagem e com respeito. Chame a atenção também para as soluções encontradas naquela época, que evoluíram ao longo do tempo para itens e costumes que temos ainda hoje, como a maquiagem ao redor dos olhos, os papiros e o registro escrito, e os ornamentos carregados de significado, por exemplo.
ATIVIDADES
Os hieróglifos da classe
Com base na escrita egípcia, promova com a turma a elaboração de símbolos correspondentes às letras do alfabeto, criando hieróglifos possíveis de traduzir. As figuras podem ser criadas no quadro por um estudante de cada vez, destacando que devem ser imagens simples e de fácil reprodução (outra possibilidade de uso dos símbolos é a disponibilização de criptocruzadas, que utilizam a mesma lógica de decodificação).
Após o registro de todas as letras correspondentes, sugira que os estudantes escrevam uma curiosidade sobre o Egito e troquem entre si, para que seja treinada a decifração. A atividade permite a compreensão do que convencionamos para cada signo linguístico, além de proporcionar uma experiência de escrita temática em relação ao livro lido. A tabela de hieróglifos virá a compor as próximas etapas de atividades.
Criando um tabuleiro
Utilizando papel kraft (lembrando a estética dos papiros) e tendo o mapa da obra como referência, sugira a construção de um jogo de tabuleiro clássico. A partir da divisão do rio Nilo em casas numeradas e com os materiais disponíveis, incentive a decoração do tabuleiro com base na estética egípcia, remetendo a divindades, ornamentos de paredes, simbologias aprendidas e mitologias. A atividade pode ser feita simultânea e coletivamente, com cada estudante ilustrando a parte que mais chamou sua atenção, contribuindo para um compilado de momentos do livro feito de forma não verbal. Sugira que as numerações contidas no mapa sejam mantidas tendo em mente a próxima etapa da atividade.
Finalizando o jogo de tabuleiro “Os egípcios”
A partir da criação do tabuleiro da etapa anterior, promova a construção de cartas de questões: o miniquiz, ao final da obra, é uma sugestão da série de perguntas que podem ser feitas sobre o livro. Os estudantes também podem criar mais perguntas, principalmente com base nas anotações Você sabia que são encontradas ao longo da leitura. Em cada uma das cartas de questões, lembre-se de colocar a possibilidade de acerto e erro com suas devidas consequências, por exemplo: “Resposta correta: ande duas casas”; “Resposta incorreta: volte uma casa”. O jogo pode ser jogado com dados; e, conforme parem nas numerações mantidas ao longo do mapa, os estudantes devem retirar uma carta de questão.
Com regras clássicas dos jogos de tabuleiros, as crianças poderão experimentar um jogo de confecção própria, valorizando suas atividades e os conhecimentos adquiridos, bem como retomando os conteúdos do livro de forma lúdica e divertida, sem que seja aplicado um cunho teórico apenas de perguntas e respostas formais. Os hieróglifos construídos na primeira etapa de atividades também podem compor as cartas, como desafio ou resposta a alguma pergunta específica. A possibilidade de construção de um jogo também flexibiliza os conteúdos que mais chamaram a atenção da turma, podendo se tornar questões bônus; além disso, outras regras podem ser combinadas em grupo antes de a brincadeira realmente começar.
Dos estudantes
A partir de nomes já conhecidos pelos estudantes após a leitura de Os egípcios, o vídeo a seguir, do canal do YouTube Contos de todos os cantos, narra o mito da criação do mundo, segundo essa cultura, contando desde a origem do universo até o nascimento das divindades celebradas por esse povo.
Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=3RP5xcKEaBA.
Dos professores
Para contextualizar um panorama contemporâneo do Egito, o vídeo a seguir, publicado pelo canal da BBC News Brasil no YouTube, explica aspectos políticos, econômicos e de desenvolvimento geral do país, demonstrando como as informações passadas na obra lida junto aos estudantes foram transformadas até os dias atuais.
Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=FKMHJKxGdDc.
Clique para imprimir o seu roteiro de leitura:
Referências
NATIONAL GEOGRAPHIC KIDS. Nile river facts. [S.l.], [s.d.]. Disponível em: https://linkja.net/nile-river-facts-NatGeoKids. Acesso em: 9 abr. 2025.
CONTO DE TODOS OS CANTOS. O mito da criação do mundo egípcio. Conto de todos os cantos, 4 jul. 2020. 1 vídeo (6 min). Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=3RP5xcKEaBA. Acesso em: 9 abr. 2025.
BBC NEWS BRASIL. Egito, o país sob mão forte militar que vai construir nova capital no deserto em meio a crise. BBC News Brasil, 8 dez. 2023. 1 vídeo (11 min). Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=FKMHJKxGdDc. Acesso em: 9 abr. 2025.