“Casa de avó” é um lugar mágico, que aguça a criatividade e convida a explorar, mesmo quando as crianças não querem estar ali. É isso que acontece com a pequena protagonista de O som na caixa, que, mesmo contrariada, se dedica a explorar cada canto, cada som e cada caixa no sótão da casa da avó. A delicada aventura em busca de respostas para desvendar mistérios e exercitar a imaginação será compartilhada pela neta e pelos leitores, instigados por muitas perguntas.
Neste Roteiro de leitura, você encontrará propostas de mediação que visam a proporcionar uma leitura sensorial da obra, bem como experiências com a linguagem por meio de onomatopeias e propostas de artes plásticas ligadas ao cultivo da calma e do silêncio.
Mostrar-se interessado e envolvido pela leitura de livros de literatura e por outras produções culturais do campo e receptivo a textos que rompam com seu universo de expectativas, que representem um desafio em relação às suas possibilidades atuais e suas experiências anteriores de leitura, apoiando-se nas marcas linguísticas, em seu conhecimento sobre os gêneros e a temática e nas orientações dadas pelo professor."
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Identificar o efeito de sentido produzido pelo uso de recursos expressivos gráfico-visuais em textos multissemióticos.
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Relacionar texto com ilustrações e outros recursos gráficos.
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Para fazer a preparação de leitura, sugerimos que se escute o álbum Barulhinho bom, de Marisa Monte, sobretudo a canção “Chuva do brejo”, que traz o verso que dá título ao álbum. Dessa forma, você aguçará os sentidos para conduzir a mediação de leitura.
A sugestão é que os estudantes sejam levados a uma sala de projeção ou que se construa em sala de aula um espaço de projeção: com luz mais baixa, espaço confortável para se sentar e, especialmente, boa acústica para ouvir confortavelmente. Se possível, providenciar um equipamento de projeção para exibir a capa e outras imagens, além de tocar música e outros sons sugeridos nas atividades.
Professor, para familiarizar os estudantes com o tema antes de apresentar o livro, você pode explorar o sentido da audição (os sons) para abordar os significados e sentidos da obra.
Proponha a eles fazer um jogo de reconhecimento dos sons do entorno. Em seguida, vá para o título da obra. Para enriquecer a atividade, exiba o clipe “Barulhinho e barulhão”, do grupo Tiquequê.
Novamente, mostre a eles o título da obra e, a partir dele, reforce estas diferenças:
som na caixa → caixa de som → caixa de música (ideia um pouco mais distante)
Pergunte a eles se sabem o que é uma caixinha de música, se já viram uma, se já escutaram o som que vem dela. Então, apresente a imagem ou o objeto. Deixe-os escutar e fruir a música, que pode ser encontrada fa-cilmente em um aplicativo para ouvir música ou no YouTube, e convide-os a atentarem à harmonia, à melodia e aos sons. Suscite questões, como as perguntas a seguir:
• Será que a caixa encontrada tem um som porque é uma caixinha de música?
• Ela se parece com uma caixinha de música?
• Que som há dentro dessa caixa?
Acolha as respostas.
Para que os estudantes se familiarizem com a obra, sugerimos que, após reler o título com eles, você os convide a lerem a capa e a quarta capa com atenção por um tempo determinado (cerca de um minuto) e, a seguir, proponha a eles fazer um jogo de memória:
1. Quem será essa menina? O que ela está fazendo?
2. Quantas bolinhas há na capa? E na quarta capa?
3. Qual é a cor do lápis de cera? E das meias da menina?
4. Qual objeto está na capa e na contracapa?
5. Que animal (de borracha/pelúcia) aparece na capa?
6. Que peças do vestuário estão na contracapa?
Para refletir com a turma:
• Capa e contracapa formam uma caixa que guarda uma história?
• E as histórias, elas têm som?
• Será que esse é um livro de detetives? Ou seria sobre música? Ou um livro de mistério?
Acolha as respostas. Antes da leitura da obra, pode-se conscientizar os estudantes de que, inspirados nela, vocês terão a oportunidade de vivenciar os sons e o silêncio, bem como pensar em maneiras de presentear pessoas queridas com o fruto dessas experiências.
Mostrar-se interessado e envolvido pela leitura de livros de literatura e por outras produções culturais do campo e receptivo a textos que rompam com seu universo de expectativas, que representem um desafio em relação às suas possibilidades atuais e suas experiências anteriores de leitura, apoiando-se nas marcas linguísticas, em seu conhecimento sobre os gêneros e a temática e nas orientações dadas pelo professor."
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Estabelecer expectativas em relação ao texto que vai ler (pressuposições antecipadoras dos sentidos, da forma e da função social do texto), apoiando-se em seus conhecimentos prévios sobre as condições de produção e recepção desse texto, o gênero, o suporte e o universo temático, bem como sobre saliências textuais, recursos gráficos, imagens, dados da própria obra (índice, prefácio etc.), confirmando antecipações e inferências realizadas antes e durante a leitura de textos, checando a adequação das hipóteses realizadas.
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Localizar informações explícitas em textos.
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Sugerimos a leitura em voz alta realizada pelo professor com especial atenção para a “leitura sensorial”, aquela voltada para os sentidos dos leitores, já que o tema do som é fundamental para a construção do sig-nificado da obra. Mesmo sendo a audição o sentido central do livro, dê atenção para o olfato e o tato.
Modulando a voz
Em um primeiro momento, sugerimos que leia o texto sem fazer interrupções. Todavia, pense no texto dividido em três partes, a fim de conduzir sua leitura, conforme as sugestões a seguir:
1. A apresentação do espaço e das personagens.
2. A experiência da menina com essa caixa.
3. Perguntas para reflexões posteriores.
Essa divisão tem a finalidade de demarcar a entonação e a modulação da voz de formas diferentes para cada parte, especialmente a segunda, quando a menina faz perguntas e elabora hipóteses para ressaltar os sentidos, como ampliar o mistério, instigar a busca e incrementar o interesse pelo livro.
Dê especial atenção à entonação do trecho “Um chiado, um guincho, um arranhão, ou um golpe surdo. Um barulho de bateria ou de pratos quebrando contra a parede”, dando a modulação correspondente.
Conversas sobre vovós
Antes da leitura da primeira parte do livro, é interessante organizar uma conversa sobre casas de avós (ou de parentes/pessoas mais velhas):
• Gostam de visitar a casa da avó?
• A casa tem cheirinho de quê?
• O que há de interessante nessa casa?
• Há um cômodo de que mais gosta?
Acolha as respostas e faça registros para consulta posterior.
Reflexões sobre cheirinhos
Durante a releitura, você pode sugerir algumas reflexões, como:
• Você sabe o que é sótão?
• Você gosta de uvas-passas?
• Qual é o cheirinho bom de que você se lembra de sua casa ou da casa de alguém querido?
• E da escola, tem algum cheirinho que lembre daqui?
• Você acha que os cabelos sofrem/sentem dor enquanto são cortados?
• Qual é a árvore que dá os frutos mais deliciosos?
Acolha as respostas. Nesse momento, é importante escutar e valorizar a opinião de cada estudante.
Mostrar-se interessado e envolvido pela leitura de livros de literatura e por outras produções culturais do campo e receptivo a textos que rompam com seu universo de expectativas, que representem um desafio em relação às suas possibilidades atuais e suas experiências anteriores de leitura, apoiando-se nas marcas linguísticas, em seu conhecimento sobre os gêneros e a temática e nas orientações dadas pelo professor."
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Identificar elementos de uma narrativa lida ou escutada, incluindo personagens, enredo, tempo e espaço.
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Explorar fontes sonoras diversas, como as existentes no próprio corpo (palmas, voz, percussão corporal), na natureza e em objetos cotidianos, reconhecendo os elementos constitutivos da música e as características de instrumentos musicais variados.
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Para um momento de diálogo e de acolhimento, em uma formação em roda, apresente os questionamentos mencionados pela menina:
• Quantos sons podemos segurar antes que saiam dos nossos ouvidos?
• E quantas histórias pode conter uma caixa, antes que fique cheia demais?
Convide-os para discutirem livremente essas questões.
• E o som dentro da caixa, o que vocês acham que pode ser?
É interessante que os estudantes tenham tempo para refletir antes de responder e que sejam retomadas as hipóteses mencionadas antes da leitura.
ATIVIDADES
Figuras de linguagem
As “figuras de harmonia”, que são figuras de linguagem re-lacionadas com a sonoridade das palavras, se encontram presentes na vida das crianças. Assim, esse momento pode ser propício para apresentar o conceito de onomatopeia, re-conhecida em HQs, animações, propagandas etc.
Para colocar esse conceito em prática, convide os estudantes para que, oralmente, apresentem um som para os trechos:
This is Tooltip!
Glossário
o-no-ma-to-pei-a
Palavra de origem grega e latina que descreve uma característica linguística e figura de linguagem onde o som de uma palavra imita o som real que representa, como o canto de animais ou ruídos da natureza.
1. Do urso com dor de barriga
2. As fadinhas construtoras
3. Sardinha tagarela
4. Cenoura assustada
Professor, represente graficamente os sons para mostrá-los aos estudantes, a fim de que eles reflitam sobre a língua escrita.
Desenhando o som que sai da caixa
Professor, acesse o site sugerido a seguir para conhecer a obra In Absentia M.D., da artista Regina Silveira. Usando essas imagens como inspiração, imprima a imagem de uma caixa em folha A4, deixando espaço para que os estudantes desenhem.
Para dar início a essa prática, exiba a imagem da obra da artista para os estudantes e solicite a eles que desenhem o “som” que imaginam sair da caixa, como se fosse uma sombra. Peça que cada um deles conte que som é esse, e escreva esse título em cada folha. Ao término da atividade, solicite aos estudantes que organizem a exposição dos desenhos.
Os sons literários
Os sons são o centro desta história e também ocupam a vida cotidiana, a ponto de adoecermos devido ao barulho. Pensando nisso, esse é o momento de cultivar o silêncio ou o mínimo de barulho:
1. Reserve um horário e um espaço tranquilo com mesa grande para reforçar a ideia de coletividade.
2. Com a turma, crie uma playlist para o momento de silêncio: músicas new age, para meditação ou relaxamento, com sons da chuva, da brisa e de água.
3. Organize materiais de pintura “como se fosse aquarela”:
» papel canson, pólen ou reutilizáveis, como tampas de caixas cortadas em diferentes tamanhos e formatos;
» tinta guache de cores diferentes;
» pincéis de tamanhos diversos;
» godês ou potinhos para mistura das tintas e para água;
» retalhos de tecido para secagem e limpeza dos pincéis.
Com tudo organizado, explique a eles que esse é um momento para cultivar o silêncio e desfrutar da companhia uns dos outros, e que eles vão pintar o que quiserem nos papéis: podem ser florais, formas geométricas ou abstratas, ou “sons” do livro. O momento é para “silenciar” o pensamento.
Professor, é importante explicar que as pinturas “carregam o som” da atividade, ou seja, tudo que realizamos é, em alguma medida, uma caixinha de nossa “música interior”.
Ao final, convide-os a presentear os funcionários da escola. Solicite que reflitam sobre os funcionários que contribuem com serviços essenciais e de apoio, e que, possivelmente, gostariam de ser presenteados com os “sons” das obras produzidas.
Dos estudantes
Para uma reflexão acerca do som e de sua relação com a imaginação, indicamos que exiba aos estudantes o filme clássico Fantasia, de 1940. Disponível no Disney+.
Dos professores
Para ampliar seus conhecimentos, recomendamos a leitura da obra O que é leitura (1994), de Maria Helena Martins.
Referências
BARULHINHO, Barulhão. Intérpretes: Tiquequê. In: TIQUEQUÊ. São Paulo: Gravadora Tiquequê, 2019.
CHUVA no brejo. Intérprete: Marisa Monte. In: BARULHINHO bom: uma viagem musical. Rio de Janeiro: Phonomotor Records/EMI, 1996.
FANTASIA. Direção: Ben Sharpsteen; James Algar; Samuel Armstrong. Produção Walt Disney. Estados Unidos, 1940.
MARTINS, Maria Helena. O que é leitura. 19. ed. São Paulo: Brasiliense, 1994.
O QUE É leitura sensorial. Aula nota dez. Disponível em: https://linkja.net/sensorial. Acesso em: out. 2024.
ONOMATOPEIA. In: DICIONÁRIO Priberam da Língua Portuguesa [em linha]. 2008-2024. Disponível em:
https://linkja.net/prib-onomatopeia. Acesso em: 21 out. 2014.
ONOMATOPEIA. In: E-DICIONÁRIO de termos literários de Carlos Ceia. Disponível em: https://linkja.net/onomatopeia. Acesso em: 21 out. 2024.
ONOMATOPEIAS. In: SIGNIFICADOS. Disponível em: https://linkja.net/significados. Acesso em: 21 out. 2024.
SILVEIRA, Regina. In Absentia M.D., 1983. Disponível em: https://linkja.net/in-absentia-md. Acesso em: out. 2024.