A obra Como é ser velho? apresenta uma história narrada por meio de palavras poéticas e ao mesmo tempo cotidianas. A partir de um diálogo que tem início com a pergunta de uma criança, e que origina o título do livro, uma garotinha ouve de sua avó respostas sobre permanências e mudanças que ocorrem ao longo do tempo, sejam mudanças práticas, sejam profundas.
Sob um olhar de afeto, a obra oferece múltiplas possibilidades de reaproximação, narrativas familiares e percepções acerca dos aspectos físicos e emocionais que se distinguem entre as gerações. Neste roteiro, você encontrará sugestões de reflexões, atividades de leitura, materiais complementares e dicas que auxiliarão a criar momentos e pedagógicos, com trocas muito ricas.
Mostrar-se interessado e envolvido pela leitura de livros de literatura e por outras produções culturais do campo e receptivo a textos que rompam com seu universo de expectativas, que representem um desafio em relação às suas possibilidades atuais e suas experiências anteriores de leitura, apoiando-se nas marcas linguísticas, em seu conhecimento sobre os gêneros e a temática e nas orientações dadas pelo professor."
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Identificar o efeito de sentido produzido pelo uso de recursos expressivos gráfico-visuais em textos multissemióticos.
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Segmentar oralmente palavras em sílabas.
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Para preparar a leitura, sugerimos uma consulta ao Glossário da longevidade (Lara, 2022), uma iniciativa que contextualiza com um olhar positivo os termos relacionados ao processo de envelhecimento.
Conheça esse glossário no link: https://linkja.net/Longevidade.
A fim de despertar a potência afetiva que as conversas intergeracionais podem proporcionar, sugerimos questões que possibilitarão registros narrativos e afetivos dos estudantes:
• Algum adulto já lhe contou algo sobre quando ele era criança? Você gostou de imaginar sobre o que ele disse?
• Você acha que é muito diferente ser uma pessoa idosa, e não uma criança? Quais são as diferenças?
• Você tem alguém que tem mais idade que gosta de contar histórias para você? Quais assuntos você mais gosta de conversar com essa pessoa?
Nesse ponto, cabe falar, de forma sensível e em uma roda de conversa, da figura dos avós, suscitando um momento em que os estudantes possam contar suas relações e experiências com quaisquer idosos que conheçam. Depois da preparação de leitura, é importante compreender qual é o sentido dado pelas crianças ao termo “velho”.
Para dar início à familiarização com a obra, sugerimos as seguintes questões disparadoras:
• Quantas pessoas há na capa do livro? Como essas pessoas são?
• O que os adultos estão fazendo? E as crianças?
• Onde elas estão? Parece ser um lugar feliz? Elas parecem animadas com esse lugar?
• Quem pode ter feito a pergunta que originou o título do livro?
Com base nas percepções e nas respostas dos estudantes, sugerem-se questões secundárias que os conectem às memórias afetivas, como ir a locais específicos da cidade que apresentem cenários parecidos (praças arborizadas, com bancos e brinquedos, por exemplo), enfatizando seus acompanhantes e os sentimentos ligados a esse momento.
Mostrar-se interessado e envolvido pela leitura de livros de literatura e por outras produções culturais do campo e receptivo a textos que rompam com seu universo de expectativas, que representem um desafio em relação às suas possibilidades atuais e suas experiências anteriores de leitura, apoiando-se nas marcas linguísticas, em seu conhecimento sobre os gêneros e a temática e nas orientações dadas pelo professor."
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Ler e compreender, com certa autonomia, textos literários, de gêneros variados, desenvolvendo o gosto pela leitura.
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Reconhecer que os textos literários fazem parte do mundo do imaginário e apresentam uma dimensão lúdica, de encantamento, valorizando-os, em sua diversidade cultural, como patrimônio artístico da humanidade.
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This is Tooltip!
Dica
Para a mediação de leitura, sugerimos que a primeira exploração do livro seja inferencial, individual; e, em um segundo momento, que a leitura seja feita tendo você como modelo leitor, passível de pausas para percepções de elementos não verbais ilustrativos.
Contrastes minuciosos
A ilustração que apresenta a obra explora semelhanças e contrastes minuciosos, como o uso diverso de instrumentos que têm rodas para locomoção de idosos (o andador) e de crianças (a bicicleta). A partir da leitura geral, sugerimos que sejam demonstradas essas nuances; por exemplo, destacando que todos, crianças e idosos, dividem o mesmo momento feliz de convivência.
Como vivem as pessoas
Ao longo da narrativa, ainda que não seja explícito, demais aspectos da diversidade social são abordados. Sugerimos que se faça uma condução do olhar dos estudantes em relação não apenas às idades representadas, mas também às vestimentas, aos espaços, aos grupos ou aos indivíduos que acompanham as crianças desenhadas, bem como às cores contrastantes entre momentos mais restritos e públicos (exemplo: o canto no banheiro e as cenas no parque de diversões).
Recursos de destaques
Outro aspecto possível de se destacar é o trabalho atencioso e delicado dado às ilustrações: ao colorir, em sua maioria, apenas os personagens principais do cenário ou os personagens que vivem no presente (dependendo da interpretação de cada leitor), somos levados a uma ordem de informações.
Abrindo portas
Nas páginas finais da história, a avó comenta sobre portas a serem abertas e as possibilidades que estão além delas. Sugerimos que sejam feitas perguntas de condução e que as respostas das crianças sejam acolhidas:
• O que você acha que são essas portas?
• O que essas portas podem representar?
Mostrar-se interessado e envolvido pela leitura de livros de literatura e por outras produções culturais do campo e receptivo a textos que rompam com seu universo de expectativas, que representem um desafio em relação às suas possibilidades atuais e suas experiências anteriores de leitura, apoiando-se nas marcas linguísticas, em seu conhecimento sobre os gêneros e a temática e nas orientações dadas pelo professor."
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Planejar e produzir bilhetes e cartas, em meio impresso e/ou digital, dentre outros gêneros do campo da vida cotidiana, considerando a situação comunicativa e o tema/assunto/finalidade do texto.
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Produzir, tendo o professor como escriba, recontagens de histórias lidas pelo professor, histórias imaginadas ou baseadas em livros de imagens, observando a forma de composição de textos narrativos (personagens, enredo, tempo e espaço).
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Para o momento de diálogo e acolhimento, faça perguntas que criem laços significativos com a narrativa a partir de reflexões sobre a obra, por exemplo:
• A resposta da avó à neta fala sobre semelhanças boas ou ruins?
• Você concorda com as diferenças apontadas?
• Costuma fazer algumas das coisas que a avó usou como exemplo?
Com base nessas perguntas, atente-se às respostas afetivas que envolvam animais de estimação, tradições familiares, aniversários, etc. É interessante também conversar sobre as semelhanças entre esses costumes, tanto em relação aos estudantes como ao local de origem do livro.
ATIVIDADES
Como é a narração?
Ao acompanhar a leitura, observamos que Como é ser velho? não apresenta um esquema narrativo convencional, composto de situação inicial, conflito, clímax e desfecho; nesse sentido, sugerimos atividades que não tenham a presença marcada de um narrador, inserindo diálogos. Por exemplo:
• Qual personagem fala na história?
• Onde esse diálogo acontece? Como podemos perceber isso?
• Quais são as características da avó? Essas características aparecem descritas com palavras ou apenas com ilustrações?
Conduza os estudantes a ler outros textos e perceber que a interlocução é feita diretamente, relembrando, por exemplo, bilhetes, cartas ou, de forma mais próxima, mensagens de celular.
Após o levantamento dos gêneros, indicamos a seguinte atividade:
Organizados em dois grupos, os estudantes devem escrever, pela ótica da criança, bilhetes para quando forem mais velhos. Enquanto direcionamento de atividade, sugerimos questionamentos como:
• Você já recebeu um bilhete?
• Palavras como “você” ou “nós” também foram usadas?
É válido, ainda, que esses bilhetes sejam lidos coletivamente para haver uma troca de impressões.
Ilustrando cartões-postais
Dando continuidade à atividade de escrever bilhetes, que têm o objetivo de comunicar algo de forma breve, a proposta seguinte é a criação de cartões-postais. Um cartão-postal é utilizado para enviar mensagens curtas quando estamos viajando, sempre acompanhado de uma fotografia ou ilustração. Com isso em mente, sugerimos a produção de cartões-postais ilustrados nos quais os estudantes vão desenhar cenários inspirados nas ilustrações da obra. Podem-se dispor esses cartões em espaços de convivência escolar, principalmente na sala de aula, incentivando a troca de experiências e a valorização da criatividade.
Um cartão-postal para a criança que eu fui
A fim de estabelecer mais estudos da obra Como é ser velho?, bem como conexão com ela, sugerimos o envolvimento familiar para dar continuidade à criação dos cartões-postais. Nesse momento, propomos que pais e avós escrevam também um cartão-postal para a “criança que eles foram”, apresentando as diferenças e as semelhanças tematizadas no livro e investigadas pelos pequenos leitores.
Dos estudantes
Para complementar a perspectiva de memória, questões intergeracionais e o próprio processo de envelhecimento, sugerimos o curta-metragem japonês La Maison en petits cubes, criado por Kunio Kato e vencedor do Oscar de Melhor Curta de Animação de 2009. Disponível gratuitamente no YouTube, a animação aborda o processo de envelhecimento a partir de uma delicada metáfora da memória, materializada nos vários andares da casa do protagonista.
Disponível em: https://linkja.net/la-maison-en-petits-cubes-YouTube.
Dos professores
A pesquisa As memórias narradas por idosos sobre o tempo escolar apresenta um projeto envolvendo estudantes do curso de Pedagogia e idosos do Asilo São Vicente de Paula da cidade de Bragança Paulista, que se reuniram para criar relatos sobre tempos de escola. O estudo se concentrou nas narrativas de idosos sobre suas memórias escolares, no que se refere às experiências que trazem em sua história de vida, em específico no tempo vivido na escola. A ideia é que o projeto inspire práticas a serem desenvolvidas com os próprios estudantes, na construção de uma troca intergeracional e na escrita de relatos de memória.
Disponível em: https://linkja.net/memorias-idosos-ensaiosUSF.
Referências
BERNARDO, R.; ANJOS, D. D. dos; PEREIRA, L. M. As memórias narradas por idosos sobre o tempo escolar. Ensaios USF, 1(1), 247-256. 2017. Disponível em: https://linkja.net/memorias-idosos-ensaiosUSF. Acesso em: 8 abr. 2025.
LARA, Simone B. Glossário da longevidade: um guia para o mercado, a mídia e profissionais em geral. Cinza Poderoso, 2022.
Disponível em: https://linkja.net/Longevidade. Acesso em: 3 out. 2024.
RUPE PRODUCCION. La Maison en petits cubes | Cortometraje. Rupe Produccion, 2014. 1 vídeo (12 min). Disponível em: https://linkja.net/la-maison-en-petits-cubes-YouTube. Acesso em: 8 abr. 2025.