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Aprendendo com as crianças: três caminhos para gostar de ler

As crianças nos ensinam a ler sem pressa, a explorar histórias livremente e a redescobrir o prazer da leitura.

Gostar de ler nem sempre é algo natural; e, para um professor, essa questão se torna ainda mais relevante. Afinal, dificilmente formamos alunos leitores se não cultivamos, nós mesmos, o prazer pela leitura. No entanto, sabemos que desenvolver esse hábito e encontrar tempo para ler por prazer pode ser um desafio. Em meio à rotina agitada, como redescobrir o gosto pela leitura?

É certo que lemos bastante em nosso dia a dia. Temos lido rótulos de alimentos para fugir dos ultraprocessados; a bula do remédio para evitar a dosagem errada; o jornal para nos julgarmos atualizados. Também temos lido tirinhas de gibi com nossos filhos e capítulos de romances juvenis com nossos alunos. Temos lido para nos informar, para nos instruir e para saber ensinar. Mas temos lido por puro prazer?

É claro que há aqueles que se empolgam lendo a infinidade de efeitos colaterais de uma bula ou que enxergam uma notícia policial como um verdadeiro mistério literário. Há quem encontre certo alívio ao ler legendas de redes sociais, encarando a prática como uma leitura de descanso da mente. Mas e os livros literários, como encontrar tempo e vontade para lê-los?

Não é fácil encaixar a leitura por prazer na rotina, sobretudo quando não aprendemos, de fato, a amar ler. Sim, amar a leitura é algo que se aprende, e isso tanto as crianças quanto os estudiosos da literatura podem nos ensinar. Émile Faguet (1847–1916), professor e crítico literário francês, dedicou um livro à “Arte de ler” por prazer. Entre suas reflexões sobre o bom leitor, algumas práticas muito me lembram o que observei em crianças pequenas ao longo dos anos como professora. A seguir, compartilho algumas dessas práticas, alinhadas às ideias de Faguet.

1. As crianças leem devagar – e o bom leitor também

menina lendo um livro em espaco infantil colorido

As crianças leem devagar não apenas porque estão aprendendo o sistema de escrita, mas porque leem com curiosidade, cuidado e paixão. Elas se perdem nos detalhes de uma ilustração, exploram palavras que soam engraçadas, revivem memórias afetivas ou temores despertados pela narrativa. É comum que levem vários minutos em uma única página, mergulhando na experiência. O adulto, por outro lado, muitas vezes se apressa para finalizar a leitura ou explicar sua interpretação da obra. “O prazer da leitura é substituído pelo da caça”, observa Faguet (p. 14, 2021). O bom leitor, no entanto, não tem pressa: ele se permite demorar. O próprio Faguet reforça essa ideia ao afirmar:

“Para aprender a ler, é preciso, primeiramente, ler muito devagar. E, em seguida, é preciso ler muito devagar. E, sempre, até o último livro que terá a honra de ser lido por você, é preciso ler muito devagar. É preciso ler devagar um livro tanto para se ter prazer na leitura, quanto para se instruir ou criticá-lo (p. 13, 2021).”

A leitura cuidadosa não apenas intensifica o prazer, mas também permite uma compreensão mais profunda do texto. Ler devagar significa compreender melhor as ideias, perceber nuances e encontrar camadas que poderiam passar despercebidas em uma leitura apressada. Assim como as crianças se demoram nos detalhes, um leitor apaixonado aprende a desacelerar e a saborear cada página.

2. As crianças leem “da esquerda para a direita e da direita para a esquerda”

irmaos lendo livro no quarto

É comum, quando lemos com uma criança em nosso colo, que ela se aproxime do objeto livro e conduza a leitura à sua própria maneira, adiantando as páginas, mas depois voltando. Ela vira, desvira, volta, o que às vezes, em nossa mente adulta, faz com que nos percamos da ordem cronológica da narrativa. No entanto, esse movimento não é apenas infantil; ele faz parte da própria experiência de um bom leitor. Faguet descreve essa prática ao afirmar:

“A arte de ler é uma arte de comparação e de aproximação contínuas. Materialmente, lê-se um livro de ideias tanto folheando da esquerda para a direita quanto folheando da direita para a esquerda. Quero dizer que tanto relendo quanto continuando a ler (p. 15, 2021).”

Ou seja, ler não é um processo estritamente linear. Ao longo da leitura, fazemos pausas, voltamos a páginas anteriores, revisitamos trechos que só ganham sentido mais adiante. O próprio Faguet complementa essa ideia:

“Uma vez que o homem de ideias é, mais do que qualquer outro, um homem que não pode dizer tudo de uma só vez, ele se completa e se ilumina, avançando na leitura, e só se o compreende ao lê-lo inteiramente. É preciso, então, à medida que se completa e se esclarece, levar em conta, sem cessar, para compreender o que se lê hoje, aquilo que se leu ontem, e para melhor compreender o que se leu ontem, o que se lê hoje (p. 15, 2021).”

Assim, o verdadeiro prazer da leitura não está apenas em avançar pelas páginas, mas em revisitar, refletir e construir significados ao longo do percurso. As crianças fazem isso de forma natural, e o leitor apaixonado aprende a fazer o mesmo, entendendo que a leitura é um processo de construção de pensamento.

3. As crianças gostam de seguir os caminhos da narrativa, mas também de desviar deles

mae lendo um livro com sua filha

Nos Roteiros de leitura elaborados por nossa editora, propomos caminhos que potencializam a experiência da leitura. Por entendermos que a criança é a protagonista da experiência estético-literária proposta, garantimos que haja, em cada roteiro, abertura para que o caminho se desvie, por meio das perguntas disparadoras e propostas socioconstrutivistas. Afinal, as crianças gostam de seguir um enredo, mas também de se perder em desvios inesperados.

Quando escolhemos um livro para nosso deleite, muitas vezes já lemos com intenção de gostar ou não gostar daquela temática ou do autor. Às vezes, lemos para confirmar nossas teorias ou para nos reafirmar perante ideias com as quais não concordamos. Se isso nos aproxima da leitura, ótimo. No entanto, se lermos abertos a construir uma ideia bem como a desconstruí-la, temos mais chance de nos cativar pelo prazer de ler.

Quanto aos encantos, é preciso saber saboreá-los, é preciso saber escutá-los, é preciso saber seguir o pensador em todos os seus desvios, em todas as suas hesitações de pensamento. É preciso sentir a objeção se levantar suavemente no espírito, mas rogar para que não se rompa, esperando o momento em que, talvez, o próprio autor o faça (p. 24, 2021).

Se quisermos redescobrir o prazer da leitura, as crianças são nossas melhores professoras. Elas nos ensinam a ler sem pressa, a explorar a narrativa livremente e a nos permitir ser surpreendidos. E, assim como elas, podemos nos permitir saborear cada página com curiosidade e encantamento. Que tal começar essa jornada? Convidamos você a explorar as obras do nosso acervo e os Roteiros de leitura que preparamos. Quem sabe, entre uma página e outra, você não redescobre o prazer de ler?


FAGUET, Émile. A arte de ler. Tradução de Roseli Almeida Barbosa. 1. ed. São Paulo: Kirion, 2021.

Por Renata Coelho, Educadora
Editora Via Lúdica & Cantinela Editora

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